Os golpes virtuais têm se tornado cada vez mais comuns na vida dos brasileiros. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o número de registros de estelionato cresceu mais de 400% em seis anos, o que significa cerca de quatro golpes por minuto no país.

Por que os golpes virtuais estão crescendo

Em entrevista à rádio Roquette Pinto, o advogado criminalista Leonardo Mendonça explica que o avanço tecnológico e a crise financeira contribuem para o aumento dos casos, tornando os golpes online ainda mais frequentes e sofisticados. Segundo ele, os criminosos se aproveitam principalmente de pessoas com menor familiaridade tecnológica, como idosos.

Entre os casos recentes, Mendonça destaca a operação Blasphemia, em Niterói, na qual uma quadrilha se passava por pastores, cobrando fiéis para realizar orações e prometer milagres. Essa abordagem é uma evolução do estelionato tradicional, aproveitando-se da fé e fragilidade emocional das vítimas.

Ele explica que essas fraudes se enquadram no novo tipo penal de fraude eletrônica, com penas de 4 a 8 anos, mais severas do que as do estelionato comum (1 a 4 anos). O objetivo é dificultar benefícios despenalizadores e reforçar a punição de crimes sofisticados.

Sinais de alerta e prevenção

Mendonça enfatiza que o primeiro passo para se proteger é desconfiar de ofertas milagrosas ou promessas de ganho fácil. Caso a pessoa perceba que foi enganada, deve:

  1. Registrar imediatamente a ocorrência policial, fornecendo o máximo de informações possível para facilitar a investigação.
  2. Evitar expor dados pessoais em redes sociais ou durante ligações suspeitas.
  3. Checar identidades via vídeo-chamada ou aplicativos confiáveis antes de qualquer ação.

Ele lembra que as vítimas têm até seis meses para registrar estelionato após identificar o criminoso. O registro é essencial para prevenir futuros golpes e aprimorar as estatísticas de investigação.

Legislação e conscientização

Embora a legislação esteja avançando e já preveja punições mais rigorosas para fraudes eletrônicas, a estrutura das polícias ainda é limitada. A conscientização da população é fundamental. O advogado destaca a importância de programas educativos, campanhas de informação e ferramentas tecnológicas, como pesquisas rápidas no Google ou ChatGPT, para identificar golpes.

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Crédito de imagem: GiroRJ

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